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Precisamos tirar o Brasil da UTI, alerta o cardiologista Luiz Antônio Murad
Bom dia. O país continua na UTI e as autoridades dos 3 poderes continuam em recesso. Até o carnaval? questiona o médico e ambientalista Luiz Antônio Murad.

O clínico Antônio Carlos Lopes já dizia que a totalidade das manchetes dos jornais trata da grave crise política do País de forma recorrente, não é preciso ser perspicaz para deduzir que chegamos ao fundo do poço.

Se o assunto em voga gira em torno de quem apoia ou não a permanência do presidente da República no cargo, quem será preso e quem vai delatar, para pararmos por aqui, onde ficam os debates sobre os problemas sociais, que deveriam ser o foco das preocupações da Nação?

Quem sabe, por exemplo, a quantas andam os investimentos em Saúde, área sempre abandonada, em um momento como esse? Pois vos digo: a situação é insustentável.

E aqui retomo a pergunta que muito me importa e à maioria dos brasileiros, em particular aos mais vulneráveis socialmente: como ficam as questões da Saúde?

Houve até tentativas tímidas de projetos de lei e de reformas com o propósito de recolocar o Brasil no rumo do desenvolvimento e da modernização. Mas fica difícil pensar em avanços com a PEC do teto dos gastos públicos que congelou os investimentos sociais pelos próximos 20 anos em um País ainda tão carente de infraestrutura.

Basta passar em qualquer hospital público para verificar que as filas e a falta de condições de atendimento seguem presentes, sendo que o quadro tende a se agravar, já que a inflação do setor é maior que os índices de preços.

Já as reformas seguem ao ritmo do «toma lá, dá cá«, perdendo qualquer sentido e seriedade. Educação, previdência e leis trabalhistas, na verdade, caminham na contramão da modernização por total falta de transparência. Pouca ou nenhuma discussão com os grupos diretamente ligados às áreas afetadas é promovida, o que já indica retrocesso.



Em meio a esse show de irresponsabilidade governamental e midiática, em que os interesses particulares e ações políticas contestáveis estão acima dos interesses públicos e do Estado, voltamos a enfrentar pesadelo do qual pensáramos ter nos livrado há pouco: regressamos ao mapa da fome.

Relatório produzido por mais de 40 entidades da sociedade civil, a ser entregue em breve às Nações Unidas, mostra que o País está ultrapassando o índice de 5% de cidadãos sem se alimentar adequadamente, o que nos recoloca na desumana geografia da miséria absoluta.

A solução é rever o modelo político do Brasil, com foco único nos interesses da sociedade. É preciso mudar. já. Precisamos de união nacional para tirar a Nação da UTI.
Fonte: Luiz Antônio Murad