Colatina
Rio de aventuras, desbravamento e vida dura a bordo
Além do serviço de leva e traz, o lendário barco fazia a vez de caixa postal, telefone e a internet naquele tempo das onças.

O capitão Epichim e a valente tropa apanhavam e entregavam cartas dos ribeirinhos, transmitia recado e conectava pessoas, a rede social de um passado recente. O rango sempre preparado pelo mestre-cuca Petronilho marcou a Culinária das Margens do Rio Doce.

- A comida pagava-se separado, frisou Zé Dias. De facão na cintura, o cozinheiro nas paradas em ilhas e fazendas, comprava carne de capivaras, pacas, tatus e pássaros abatidos pelos moradores. “O forte era carne de porco, legumes arroz e feijão”, reporta. Zé Dias é terceiro na fila de quatro irmãos, Crisolino, Maria, José Dias e Elpídio filhos da doméstica Maria José Dias.

“Eu fazia de tudo assentar e conferir carga, apoiar o foguista e até consertar o motor às vezes”, relembra.

“Meu pai José Pereira nos deixou quando tinha seis anos. A mamãe nos criou trabalhado como doméstica”, contou.

Quem era o capitão Epichim ? Um militar imigrante da Rússia, responde Zé Dias. Foi ele que montou o Juparanã em Colatina. Não dava confiança pra gente não. Não permitia bebida no meio dos tripulantes”, acrescentou. O marujo Dias destacou que o filho Ilton e Alberto Epichim cobravam os bilhetes de passagem de acordo com a escala do navio.

“Três dias custava 800 cruzeiros. Os canoeiros pegavam carona, amarravam canoas na lateral vinha em penca de oito a dez. De acordo com José Dias, os marinheiros dormiam no porão em meio a carga às vezes de animais vivos, cabras e galinhas as condições de salubridade não era das melhores. “No final o salário atrasou seis meses. O Juparanã encostou no lajão. Fizemos uma reforma geral. Ficou lindo todo pintado de branco à espera da autorização da Marinha. A ordem não veio. Encalhou na lama foi depredado”, afirmou José Dias.