Colatina
Morre Elizeu o último alfaiate de Colatina
Morreu aos 74 anos em conseqüência das graves lesões provocadas por um atropelamento de moto Elizeu Rosa, o último alfaiate de Colatina noroeste do Espírito Santo.

O corpo do alfaiate da Era de Ouro da elegância capixaba foi sepultado na tarde de sábado, 5 no cemitério de São Zenon interior do município de 123 mil habitantes. Elizeu foi socorrido pelo motoqueiro chegou a ficar quatro dias internado na UTI do Hospital Sílvio Avidos, mas não resistiu e faleceu na noite de sexta-feira, 4.

A aparência simples da oficina entre tesouras, fitas, compassos e antigas máquinas de costuras preserva o segredo da elegância de gerações de colatinenses pelas mãos de Elizeu Rosa.
Quase extinta, a profissão sobrevive à veloz indústria da moda pelo charme da roupa sob medida, mas nem sempre foi assim recorda Elizeu que aos 15 anos quando começou a cortar pano como aprendiz na Alfaiataria Álvaro Guerra, a maior do noroeste do Espírito Santo na época. “As fábricas ainda não tinham nascido. Havia cerca de 30 alfaiates e 50 ajudantes na cidade.

“Os amantes da alfaiataria é que mantém vivo o nosso trabalho porque a roupa pronta é muito barata”, destaca.

A precisão do corte e o cuidado da costura feita a mão garante a fama do alfaiate Elizeu. Ele nem cogita em abandonar a agulha, a linha e o velho tesourão importado de Paris na década de 20. Casado com Alcedina da Conceição Rosa, 74 anos, sem filhos o casal cultiva a paixão pela costura e divide junto à tarefa diária de vestir bem personalidades do mundo social, financeiro e político de Colatina. Costureira de mão cheia, dona Alcedina faz camisas que acompanham os ternos ‘risca de giz’ produzidos por Elizeu.

Entre seus clientes desembargadores, juízes, promotores, empresários e políticos vale citar o ex-senador Moacyr Dalla, já falecido. Dalla foi único capixaba na linha de sucessão presidencial ao presidir o Congresso Nacional na fase de redemocratização do Brasil. “Além de ternos, Moacyr gostava de encomendar eslaques, uma espécie de conjunto estilo safári com camisa de quatro bolsos«, destaca Elizeu. A paciência é outra virtude que Elizeu faz questão de cultivar para conquistar a freguesia, por sinal um quadro bem seleto. “Se preciso a gente mede uma, duas, três, quatro vezes até o modelo ficar ajustado no corpo do cliente”, revela.

Para ele, a profissão nunca vai cair no esquecimento por conta do toque personalista das peças feita sob encomenda, porém como não tem aprendiz vê com tristeza o desinteresse dos jovens pela alfaiataria. “Tentei ensinar alguns jovens, mas não deu certo. Quanto à moda? Os jovens se contentam com bermuda, boné e camiseta. Não sabem nem o que é roupa social”. Reclama. O Sindicato das Indústrias do Vestuário de Colatina (Sinvesco) confirma que Elizeu é único alfaiate na cidade a produzir ternos clássicos sob medida.