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Dados inéditos sobre asteroide que extinguiu dinossauros
Uma cama feita de «pérolas« verde oliva, encontrada numa ilha deserta no Pacífico, revelou informações inéditas sobre o asteroide que acabou com os dinossauros (e 70% da vida na terra) há 66 milhões de anos.

Situada a 35 km da costa da Colômbia, no oceano Pacífico, Gorgonilla é um pedaço desabitado de floresta tropical. Na costa desta ilha foi encontrada uma cama de tectitos, pequenas rochas de vidro que se formam na sequência de impactos de grandes asteroides na Terra.

Estas rochas, ainda vítreas, viajaram mais de dois mil quilómetros desde o local do impacto do asteroide famoso por eliminar os dinossauros, em Chicxulub, na península do Iucatão, no México, até ao outro lado da costa da América do Sul, ao largo da Colômbia.

Um grupo de micropaleontólogos da Universidade de Saragoça participou nesta descoberta, revelada pela revista Geology, este mês. Os investigadores conseguiram determinar com precisão a idade destas esferas vítreas de rocha, demonstrando que se formaram exatamente no limite do Cretácico/Paleogénico (conhecido pela sigla em inglês K-Pg, anteriormente K-T), em resultado do impacto do asteroide que provocou a reação em cadeia que causou a grande extinção, dinossáurios incluídos.

O impacto do asteroide em Chicxulub causou uma cratera de 180 quilómetros de diâmetro, descoberta por Glen Penfield, um geofísico que procurava petróleo no final da década de 1970 na península do Iucatão. O choque do calhau celeste com aproximadamente 10 quilómetros de diâmetro contra a plataforma continental provocou uma fricção violenta que levou rocha fundida de volta ao espaço, onde se solidificou. Os tectitos reentraram na atmosfera incandescentes, «chovendo« em volta da Terra.

Espalhadas pela terra, estas rochas, pequenos fragmentos vítreos sem ordenação, tendem a converter-se em outros materiais, como argila com o passar dos anos (milhões deles) e as pressões ambientais. As encontradas em Gorgonilla estavam muito bem preservadas e foram catalogadas pelos cientistas com as mais puras do mundo deste material.

Este achado aduz novos dados sobre a extinção massiva na terra, há 66 milhões de anos. A investigadora do Museu de História Natural da Suécia Vivi Vajda demonstrou, pela primeira vez, que houve uma grande mortandade na vegetação também nos trópicos, durante o denominado K/Pg.

Considerados como um bom indicativo, devido à resistência natural e tendência a colonizar ambientes catastróficos, é a primeira vez que se encontram fetos em latitudes temperadas e tropicais. Antes só havia sido encontrada abundância de esporos de fetos em montanhas da Nova Zelândia e do Japão.

«O impacto produziu uma séria de perturbações meio-ambientais em cadeia«, disse o paleontólogo José Antonino Arz. A chuva de tectitos e uma onda de calor, com temperaturas a subirem aos 80 graus celsius, provocaram inúmeros incêndios florestais e mudaram a flora e a fauna da terra.

«Os terramotos causados pelo impacto do asteroide chegaram a ter uma intensidade de 13 na escala de Richter, algo quase inimaginável nos dias de hoje«, acrescentou José Antonino Ar.

O terramoto mais forte alguma vez registado ocorreu no Chile, a 22 de maio de 1960, e chegou aos 9,5 na referida escala. O mais mortífero, 9,1 de magnitude, ocorreu em Sumatra, na Indonésia, em 2004, e causou um tsunami. Mais de 230 mil pessoas morreram na sequência destes dois fenómenos.
Fonte: El País