Entrevistas
  Ponto de Vista  
Manoelzinho, o cineasta de Mantenópolis, está de volta com novo filme
Depois de 10 anos parado, o cineasta de Mantenópolis, Manoelzinho, irá produzir um novo filme. Inicialmente, ele pensava em um faroeste, seu gênero preferido e já tinha até dois títulos provisórios: “A Vingança de Loreno 2” e “Na Mira da Espingarda de Loreno”.

Mas, como o cineasta tem a pretensão de vender sua próxima produção para um canal de televisão, decidiu apostar em um drama tipo os de novela, que deverá se chamar “As Lágrimas de Uma Mãe”. Como é peculiar em seus trabalhos, Manoelzinho deverá atuar como roteirista, diretor e ator principal. “Mas, para não queimar o filme, o papel do bonitão não será feito por mim”, brincou.

Em entrevista concedida ao Radar Capixaba com uma franqueza que lhe é peculiar, Manoelzinho revelou que a fama o deixou orgulhoso. Disse que hoje tem vergonha de exercer a atividade que o ajudava a sustentar a família, de ajudante de pedreiro.





A situação de dificuldade do cineasta, que na primeira década do ano 2000 se tornou uma celebridade nacional, aparecendo em todos os programas mais badalados de televisão do país, como Jô Soares, Mais Você e Domingo Legal, foi confirmada pelo irmão Elinaldo Ferreira, que é secretário municipal de Obras de Mantenópolis. Confira as duas entrevistas:



Entrevista - Manoelzinho: «Meus filmes têm andado pelo mundo afora e eu não arrecado nada«

Radar Capixaba: Seu Manoelzinho, soube que o senhor irá produzir um novo filme. A informação procede?

Manoelzinho: É verdade sim. Tem muita gente pedindo. Meu público gosta muito dos meus filmes e já tem tempo que as pessoas estão cobrando.

Radar Capixaba - Ouvi dizer que será um faroeste e que se chamará “A Vingança de Loreno 2” ou “Na Mira da Espingarda de Loreno”.

Manoelzinho - Vou falar para você a verdade. Quero fazer um filme para tentar levar para a televisão. Meus filmes têm andado pelo mundo afora e eu não arrecado nada. Eu vendo um pacote com 20 DVDs, eles tiram cópias piratas e vendem por todo canto e eu não ganho nada.

Radar Capixaba - Então qual será o filme?

Manoelzinho - Não quero mais fazer faroeste, tá meio batido. Vou contar a história de uma família pobre, uma mãe e uma filha muito bonita que só andava mal arrumada. Mas um dia ela conhece um homem rico que se apaixona por ela. Só que depois de mudar de vida ela vira as costas para a mãe, que morre de desgosto.



Radar Capixaba - Parece que será um dramalhão daqueles bem emotivos. Já tem título?

Manoelzinho - Sim, será “As Lágrimas de Uma Mãe”.

Radar Capixaba - Mas o senhor já tem dinheiro para fazer esse filme?

Manoelzinho - Vou precisar muito de ajuda, pois não quero mais fazer filme VHS, mas sim com câmeras digitais, com imagem boa e qualidade de som. Tudo arrumadinho mesmo.

Radar Capixaba - O senhor disse que quer vender o filme para a televisão. Me diga uma coisa: o senhor produziu mais de 30 filmes, ficou famoso no Brasil e fora do Brasil. Ouvi dizer que até o líder cubano Fidel Castro queria conhecer o senhor. A fama não lhe rendeu dinheiro?

Manoelzinho - Vou te falar a verdade. Eu fiquei mais pobre do que era. Depois que dei entrevistas na Globo, no SBT, na Record e em todos os canais de televisão do Brasil eu passei a dar autógrafos para onde ia. Me consideravam uma pessoa importante e eu acabei ficando orgulhoso demais. Hoje tenho vergonha de fazer o que eu fazia para ganhar dinheiro. Eu trabalhava de servente de pedreiro para todo mundo, vendia as coisas na rua, mas hoje não tenho mais coragem de fazer isso. Por isso preciso de um cachê para fazer meu novo filme.

Radar Capixaba - O senhor precisa de quanto para produzir “As Lágrimas de Uma Mâe?

Manoelzinho. Não quero ficar rico. É qualquer coisa mesmo. Eu perdi meus atores porque quando eles me viram dando entrevista para todo mundo eles acharam que eu tinha enriquecido. Eu dizia que não era verdade, mas eles não acreditavam. E eles estão certos de cobrar por um dia de trabalho. Tá todo mundo pensando em ganhar um troquinho.

Radar Capixaba - Voltando ao filme, o senhor irá fazer o papel principal?

Manoelzinho- Vou sim, mas o rapaz bonito do filme não será eu não (cai na gargalhada). Vou ter que arrumar uma pessoa bem vistosa. Se botar eu como o bonitão, queima o filme (dá risadas).

Radar Capixaba - Já definiu o local das filmagens?

Manoelzinho - O filme será feito em uma roça, em uma fazenda, em um patrimônio aqui perto que tem uns dois mil moradores.

Radar Capixaba- O senhor continua vendendo seus filmes?

Manoelzinho- Sim, mas não estou vendendo quase nada.



Entrevista com o irmão de Manoelzinho: Elinaldo Ferreira

Radar Capixaba- Seu irmão está trabalhando?

Elinaldo- Não, ele está desempregado, apesar de ser nosso embaixador cultural. As pessoas querem que ele mude, mas Manoelzinho sempre será do jeito que é. Somos uma família simples.

Radar Capixaba- Seu irmão é quase um símbolo da cultura de Mantenópolis. Como tudo isso começou?

Elinaldo- Ele começou a ficar famoso em 2003 ou 2004 quando a TV Gazeta Norte fez uma entrevista com ele. Mas seu primeiro filme, A Vingança de Loreno, foi feito em 1987 ou 1988. Até Fidel Castro, aquele líder cubano, queria conhecê- lo. Se não me engano, são 22 filmes que ele produziu. Tenho todos guardados comigo. Inclusive, trabalhei no primeiro filme dele.

Radar Capixaba- Que papel o senhor fazia?

Elinaldo- Eu era o bandido. Eu não queria morrer rápido, mas morri logo (ri).

Radar Capixaba- Como seu irmão vive com a família?

Elinaldo- Ele tem dois filhos, um rapaz com 17 e uma menina com 14 anos. Quem sustenta a família é a mulher, que é aposentada. Eu mesmo já ajudei, dei até uma casinha para ele.
Fonte: Zenilton Custódio/Radar Capixaba