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Conheça Lucas Polese, responsável pela autoria de fake news no Espírito Santo
As eleições no Espírito Santo estão sendo contaminadas pelo fenômeno das fake news, termo que se refere à disseminação de informações falsas pelas redes sociais com o objetivo de denegrir a imagem de candidatos.

A prática ficou bastante conhecida nas eleições americanas e hoje ameaça também o processo eleitoral no Brasil.

No Estado, grupos organizados estão agindo na internet para produzir e difundir notícias falsas, com informações distorcidas em apoio a um candidato ao governo. Existem até ações em andamento nas Justiças comum e Eleitoral contra os responsáveis por essas fake news.

Um dos autores dos fakes é o jovem Lucas Da Ré Polese, 21 anos, que se apresenta nas redes sociais como “consultor” e fundador do Instituto Liberal do Espírito Santo. Essa suposta entidade (que não tem sequer personalidade jurídica), ao lado de outros movimentos do tipo, utiliza suas redes sociais para a difusão de informações falsas.

Em seu perfil no Instagram, Lucas Polese se declara simpatizante do fascismo em uma foto que aparece está enrolado na bandeira do Brasil. Em outras imagens, ele aparece junto de integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre), notório difusor de notícias falsas e que teve recentemente várias páginas e usuários falsos removidos do Facebook por “espalhar desinformação”.

Nascido no município de João Neiva, ele estuda Administração em uma faculdade particular de Colatina e atuou entre novembro de 2017 e maio deste ano na Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura do município.

Apesar da pouca idade, Lucas Polese já responde a processos criminais na Justiça por injúria, calúnia e difamação – tipos de crimes contra a honra, cujas penas somadas podem chegar até três anos de prisão. Além disso, o estudante e o Instituto acabam de ser multados em R$ 5 mil pela Justiça Eleitoral por propaganda antecipada através da propagação de fake news.

Neste processo (tombado sob nº 0600155-93.2018.6.08.0000), o deputado federal Lelo Coimbra (MDB) acusou Lucas Polese e o Instituto pela promoção de “propaganda eleitoral antecipada negativa”, um tipo de crime eleitoral semelhante à propaganda extemporânea (fora do prazo legal).

Durante a tramitação do caso, o estudante admitiu que o Instituto “existe apenas no ambiente virtual na forma de uma página no Facebook”.

Na ação, Lelo aponta que foi vítima das “acusações” em postagens, que insinuariam que ele respondia a processos na Justiça, o que nunca foi verdade.

Na sentença prolatada no início desse mês, a juíza Maria do Céu Pitanga de Andrade entendeu que os réus fizeram a publicação de informações inverídicas, exigindo a remoção das páginas e o pagamento de multa no valor de R$ 5 mil. No último dia 14, a magistrada determinou que o estudante – e o pseudo Instituto – promovam o pagamento sob pena de inscrição em dívida ativa.

Esse é apenas um dos problemas na Justiça do difusor de fake news. Lucas Polese também é alvo de uma queixa-crime movida pelo ex-prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski, e outra pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB). O Instituto Liberal do Espírito Santo diz que foi criado com o objetivo de “fiscalizar os políticos”, no entanto, um olhar mais apurado sobre as mensagens postadas se vê ataques direcionados. Entre as outras vítimas do bando está a senadora Rose de Freitas (Podemos), que também disputa o governo do Estado este ano, só para ilustrar.

Poucos candidatos são “poupados” pela página do Instituto, transparecendo as verdadeiras intenções do grupo – assim como quem supostamente estaria financiando essas fake news no Espírito Santo. Ao invés de acusações mentirosas, eles ganham menções positivas do grupo. Casos do empresário e “ex-futuro” secretário de Educação, Aridelmo Teixeira, candidato do PTB ao governo capixaba, bradado por eles como o “novo” em entrevista feita por Lucas, e o deputado federal Carlos Manato (PSL), também candidato a governador.

Essa relação com políticos e simpatizantes do PSL chama atenção não apenas pelo número de comentários – em sua maioria de adeptos das candidaturas de Manato e de Jair Bolsonaro, candidato à presidente da República. Em fotos extraídas da internet, Lucas Polese aparece ao lado do ex-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra, que se filiou ao partido para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. O empresário é um entusiasta não apenas do Instituto Liberal, mas de outros grupos semelhantes no Estado, como o próprio MBL e o Grupo Domingos Martins – que se reúne periodicamente nas instalações da Fucape, faculdade que tem como um dos sócios e fundador o “professor” Aridelmo.
Fonte: Imprensa Livre ES/Foto Reprodução