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Retalhos do Tempo: colonização suíça no Brasil
Com a ratificação do tratado de colonização pelo Conselho de Estado, dá-se início ao recrutamento dos futuros colonos para o Brasil. O diretor de Polícia Central, Charles de Schaller, é designado para esta tarefa e já no final de outubro de 1818 é encarregado de organizar e receber as inscrições.

Fica acertado com o cônsul Jean-Baptiste-Jérôme de Brémond que a participação do Cantão de Fribourg seria de 700 pessoas.

Schaller envia brochuras impressas para as prefeituras do Cantão contendo o tratado (as Condições), bem como as notas de Sébastien-Nicolas Gachet, que falavam sobre a vida no Brasil e em Cantagalo.

E 20 de novembro de 1818, os moradores de Fribourg já tomavam ciência da convocação através do jornal:

“A direção da polícia central, em virtude das ordens de S. Excias., previne aos moradores deste cantão que os registros de inscrição para a colônia suíça a ser estabelecida no Brasil estão abertos a partir desta data. As famílias e indivíduos que desejem aproveitar as vantagens que tal colonização oferece, poderão informar-se junto ao curador de sua paróquia sobre o tratado e, em seguida, dirigir-se ao sr. Prefeito de seu domicílio que está encarregado de receber as inscrições e fornecer os esclarecimentos necessários.”

Quanto à apresentação do Brasil e de Cantagalo, Gachet fez um ótimo trabalho como garoto-propaganda sobre o local da futura colônia, enfatizando as semelhanças geográficas com a Suíça, como as muitas montanhas e a temperatura agradável, que não excedia os 26 graus.

Gachet também falava que em 20, 30 anos era possível ficar rico. No quesito agricultura, o Brasil era pintado como o Eldorado, o que indicava que o medo da miséria que pairava sobre a população ficaria para trás:

“A terra é de espantosa fertilidade no Brasil, tudo lá pega de galho... um resto de repolho jogado fora produz um repolho; podem-se fazer duas colheitas de batatas.”


Ler sobre aquele sonho tropical em tempos de miséria e com o início do inverno suíço chegando deve ter sido mais uma motivação para encarar aquela aventura e decidir cruzar o oceano.

E foi assim que os candidatos foram chegando e chegando até que, como nos conta Martin Nicoulin, 879 indivíduos do Cantão de Fribourg estavam dispostos a emigrar, superando assim a cota de 700 oferecida por Brémond .

Mas quem eram eles? Quantos foram admitidos?
Fonte: O Tempo