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Vapor tinha 26 metros e veio desmontado da Alemanha.
O professor Altair Malacarne pesquisou os áureos tempos da navegação do Rio Doce quando navios de casco de ferro cortavam então caudaloso rio- hoje sujo, poluído e assoreado – descobriu que o Juparanã foi adquirido na Alemanha pelo presidente do Estado Florentino Avidos.

“Veio desmontado e armado com perfeição em Colatina pelo russo Pedro Epichim. Ele trabalhava em João Neiva na Companhia Vale do Rio Doce. Foi convidado a operar a embarcação. O Juparanã navegou nas águas do Rio Doce até o final da década de 40 quando foi abandonado “, relatou Altair. Pelo histórico do navio, o vaporzinho tinha 26 metros de popa a proa e seis metros de largura.

Possuia oito camarotes de primeira classe com maçanetas de porcelana distribuídos no segundo dos três andares do navio. No primeiro ficava a casa de máquina que tocavam sua roda d’agua, no segundo o restaurante, a cozinha e acomodações de segunda classe. Fazia sua saída de Colatina para Linhares as terças-feiras às 7h. Chegava a Linhares a noitinha e pela manhã seguia para Regência. Na quinta regressa a Linhares e sexta a Colatina. A rota era feita cinco vezes por mês entre os dois municípios.

“Só atrasava quando encalhava fora das bordas de navegação e era preciso sacudi-lo no braço ”, afirmou Fuke. No Rio Doce também circulavam nesta época outros dois navios menores, o Tupy e o Tamoyo, além da lancha Dondoca.

Fuke contou que dormia na esteira no convés quando a quantidade de passageiros era grande. Depois de exercer variados serviços de sobrevivência, Fuke aposentou como pedreiro.

De acordo com Malacarne, a navegação do Rio Doce tomou impulso através do vapor Juparanã ao fazer o trajeto de Colatina a Linhares já que a ferrovia não vingou no Norte do Rio Doce. “O presidente Florentino Avidos em pessoa veio inaugurar o Juparanã”, disse.


Fonte: Nilo Tardin