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Buracos de Minhoca formam sombras que podem ser facilmente vistas por telescópios
Buracos de minhoca são portais cósmicos hipotéticos que ligam dois pontos do espaço-tempo, mais ou menos como um túnel de teletransporte espacial.

Por enquanto, eles não passam de teoria, mas, se realmente existirem, um cientista acredita que podemos identificá-los facilmente, através das sombras que tais buracos lançam.

A técnica é semelhante à maneira como podemos detectar buracos negros – não olhando os objetos em si, mas sim as ondulações e o efeito que eles têm no resto do espaço.

A proposta para identificarmos os buracos de minhoca parece bastante simples e não é de todo nova.

O diferencial é que o físico Rajibul Shaikh, do Tata Institute of Fundamental Research, um instituto de pesquisa em Mumbai, na Índia, fornece uma forma hipotética de distinguir as assinaturas de buracos de minhoca daquelas dos buracos negros.

O artigo está sendo revisado por pares e ainda não foi publicado. Apesar dessa ressalva, o conceito é intrigante o suficiente para despertar interesse científico.

É possível que um dia esse modelo matemático ajude os pesquisadores a confirmarem se tais objetos são reais, mesmo que não estiver totalmente correto.

Em que pé está a teoria?

Os buracos de minhoca são mais frequentemente mencionados nos filmes de ficção científica, como uma forma de saltar grandes distâncias através do espaço ou do tempo.

Em teoria, é quase como se o espaço se dobrasse sobre si mesmo para conectar dois pontos que antes eram muito distantes um do outro, embora buracos de minhoca também possam conectar distâncias curtas.

Enquanto toda a ideia soa fantasticamente improvável, os cientistas estão determinados a continuar investigando: buracos de minhoca foram teorizados há quase 100 anos, e são consistentes com a teoria da relatividade geral de Einstein.

Eles seriam partes do espaço onde a luz não viaja em linha reta. Partículas de luz se curvam ao redor de um buraco de minhoca, e partículas que ficam muito próximas caem no “vazio”, criando uma sombra.

Embora cálculos tenham sido feitos em buracos de minhoca antes, Shaikh diz que seu novo modelo leva em conta a “garganta” – o canal de conexão – para criar uma equação mais precisa.

Suas estimativas sugerem que, embora as sombras de buracos de minhoca girando devagar sejam idênticas à forma circular de um buraco negro, os buracos de minhoca mais rápidos produziriam sombras mais distorcidas, tornando-as mais fáceis de distinguir.

O estudo tem uma desvantagem, no entanto: se concentra em apenas um tipo de buraco de minhoca, um rotativo da classe Teo. O físico John Friedman, da Universidade de Wisconsin-Milwaukee (EUA), que não esteve envolvido na pesquisa, não está convencido de que eles realmente existem.

“É altamente improvável que buracos de minhoca macroscópicos existam”, disse Friedman ao portal Live Science. “Se existirem, a natureza desconhecida da matéria que o sustenta tornaria impossível prever sua sombra”.

Atualmente, pesquisadores estão analisando dados reunidos pelo novo telescópio Event Horizon Telescope (EHT), uma ferramenta criada para ajudar os cientistas a dar uma boa olhada nos buracos negros diretamente. O EHT é na verdade uma rede de telescópios capaz de fornecer a ampliação necessária para vermos um buraco negro, não apenas seus efeitos no espaço.

Se pudermos vê-los, teoricamente poderíamos ver buracos de minhoca também.

Mas já sabemos o bastante sobre buracos negros para poder analisar as informações do EHT, ao contrário dos buracos de minhoca, o que dificulta a criação de modelos. Quem sabe o artigo de Shaikh deixe os pesquisadores mais próximos de possíveis descobertas.
Fonte: Alerta Científico