Segurança
Caso Araceli inspirou dia-contra abuso infantil
“Oito anos, desapareceu sexta-feira, dia 18, às 16h30, quando regressava do Colégio São Pedro”, dizia o panfleto no dia29 de maio de 1973.

Começava, então, a ganhar repercussão nacional um dos assassinatos mais hediondos da história do país. No dia 18 de maio de 45 anos atrás, a menina Araceli Cabrera Crespo, de apenas 8 anos, foi sequestrada, drogada, abusada e morta, em Vitória, no Espírito Santo.

Os culpados jamais foram punidos, mas, em 2000, a data do crime que eles cometeram se tornou o Dia Nacional do Combate ao Absuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Abaixo do cartaz reproduzido pelo jornal, uma reportagem destacava a comoção que tomava a capital capixaba devido ao desaparecimento da menina. Centenas de moradores realizaram uma romaria. Uma semana após o sumiço, o corpo da criança foi encontrado, próximo a uma área de mata, ao lado de um hospital infantil, desfigurado e em estado de decomposição.

“Confirmado, o cadáver é de Araceli”, informava O GLOBO do dia 5 de julho de 1973, após semanas de exames para identificar o corpo da menina.

A partir da identificação do corpo, uma longa e misteriosa novela começava, com direito a um livro sobre o caso censurado pela ditadura («Araceli, meu amor«, de José Louzeiro) e uma Comissão Parlamentar de Inquérito classificada como «falha« pela imprensa da época.

“Eureka!”, estampava O GLOBO do dia 10 de agosto de 1973. A polícia capixaba afirmava, conforme apurado, que era “bem provável” que o assassino da menina era um estrangulador que vinha atacando jovens mulheres em Belo Horizonte, o que nunca se confirmou.

Após quase quatro anos sem novas resoluções, em fevereiro de 1977, O GLOBO noticiava: “implicados serão presos”. Seis meses depois, em 24 de agosto do mesmo ano, reportagem de destaque reportava a prisão dos três principais suspeitos do crime: Dante e Dantinho Micheline e Paulo Helal, ambos jovens de famílias ricas e influentes da região. A reportagem dizia, também, que desde o início o trio era suspeito do crime, mas relatava que o Superintendente da Polícia de Vitória, Gilberto Barros Farias, havia voltado atrás dias após afirmar que os culpados eram “gente importante”.

No decorrer das investigações, testemunhas tidas como chave pela polícia, como uma ex-amante de Paulo Helal, Marisley Fernandes Muniz, e o mecânico Wilson Cabral Gomes contaram aos policiais detalhes macabros, como o suposto fato de Paulo ter pedido uma boneca para atrair a menina, dias antes do crime, conforme noticiado do dia 5 de setembro de 1977. No mesmo artigo, um inquérito apontava que Dante Micheline havia destruído provas do crime, além de denúncias de que eles teriam comprado o silêncio de testemunhas e autoridades, o que nunca foi comprovado.

Três anos depois, eles seriam considerados culpados e condenados a 18 anos de prisão e multa de Cr$ 18 mil. Em 20 de junho de 1980, o título da matéria do GLOBO informava: «Matadores de Araceli condenados a 18 anos vão apelar em liberdade«.

Anos depois, os acusados seriam absolvidos. O crime permanece até hoje como um grande mistério, sem um culpado.



Fonte: Sol Quadrado