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Cozinheiro preparava pratos à base de caça, peixes e carne de porco
Em 1927, o vapor Juparanã iniciava suas viagens entre Colatina e Regência. A compra do navio pelo Estado foi uma solicitação de influentes fazendeiros e políticos linharenses obrigados a viajar em lombo de burro ou canoas.

Sua capacidade de transporte era de 30 toneladas e mais de 100 passageiros, o que exigia um grande esforço da cozinha. A comida a bordo era farta e abundante, um prato cheio para Fuke que parou de estudar com objetivo ajudar a tia com o salário que ganhava no barco.

“Ficava o dia todo na dispensa picando verduras e legumes, além de recolher e lavar os pratos de louça. O cozinheiro era o Petronilho. Nas paradas em fazendas e ilhas, ele comprava carne de capivaras, pacas, tatus e pássaros abatidos pelos moradores”, contou Fuke.

“Os pratos a base de caça eram opcionais, os passageiros podiam escolher no cardápio o forte era a carne de porco, boi era caro. Todos se acomodavam na sala grande do refeitório.

Fuke narra que os horários das viagens dependiam das cargas a transportar. Nos porões cabiam até mil sacas de cacau, levava também galinhas, cabritos e porcos.

«Às vezes fazia passeios e piqueniques em Itapina a Lagoa Juparnã. Tinha que tirar a chaminé ao passar por debaixo da ponte Florentino Avidos”, destacou Fuke. O vaporzinho parava em Barbados onde era carregado com telhas e tijolos. Também rebocava as canoas dos ribeirinhos e trabalhadores das barrancas do Rio Doce.

Fonte: Nilo Tardin